Quais são os sintomas da falta de vitamina D?

Tendo em vista que a vitamina D tem um papel fundamental na imunidade, na saúde dos ossos e na assimilação de cálcio, qualquer pessoa pensaria que a deficiência deste nutriente é manifestada de maneira alarmante. Porém, os sintomas da falta de vitamina D podem ser muito subtis ou, inclusive, passar despercebidos. 

Quando a deficiência de vitamina D é severa e é prolongada, surgem doenças como a osteomalacia e a osteoporose, mas também pode favorecer a resistência à insulina ou aumentar o risco de desenvolver esclerose múltipla. Leia com atenção este artigo para aprender a identificar os sintomas da falta de vitamina D.  

Pontos-chave 

  • Os sintomas da falta de vitamina D podem estar relacionados com a deterioração da estrutura dos ossos, mas também podem ser inespecíficos, por exemplo, infeções recorrentes, formigueiros e depressão. 
  • Como a deficiência de vitamina D pode passar despercebida, os grupos de risco (idosos, mulheres pós-menopausa, pessoas com insuficiência renal) devem avaliar o seu nível no sangue de forma periódica.
  • Para tratar a falta de vitamina D e os seus sintomas de forma eficiente, é recomendado tomar suplementos lipossomais, que garantam uma alta assimilação.

Tudo que precisa de saber para identificar os sintomas da falta de vitamina D 

A deficiência de vitamina D (ou calciferol) é vinculada com a osteoporose, diabetes, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal e até um maior risco de desenvolver cancro. Conhecer os sintomas da falta de vitamina D ajuda a detetar rapidamente esta carência nutricional e ser capaz de corrigi-la antes de provocar graves problemas de saúde.

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A melhor forma de evitar uma falta de vitamina D é expondo-se ao sol de forma controlada. (Fonte: Macniak: 45433730 / 123rf.com)

É possível que a falta de vitamina D não cause sintomas? 

Sim, a falta de vitamina D pode ser assintomática, especialmente nas primeiras etapas da deficiência. Infelizmente, muitas vezes os sintomas não se manifestam até que a carência ocasione uma doença grave. Por tal motivo, as pessoas que pertencem aos seguintes grupos de risco devem monitorizar periodicamente os seus níveis de vitamina D (1, 2)

  • Idosos (mesmo que não morem em lares, nem estejam hospitalizados);
  • Mulheres pós-menopausa;
  • Pessoas que sofrem de insuficiência renal crónica, insuficiência hepática, obesidade, diabetes, esclerose múltipla, fibrose cística, doença celíaca, entre outras doenças;
  • Pessoas que foram submetidas à cirurgia bariátrica;
  • Grávidas;
  • Pessoas que estejam em tratamento com antiepiléticos, glucocorticoides ou antirretrovirais (por exemplo, para tratar a infeção por HIV);
  • Pessoas que não se expõem regularmente ao sol ou moram em áreas de latitudes extremas.

É desejável que o nível de vitamina D no sangue, expressado em nanogramas (ng) de 25(OH)D por mililitro (ml), esteja entre 30 e 90 ng/ml. Abaixo de 30 ng/ml, existe uma falta de vitamina D, que pode ser acompanhada de sintomas ou não. É estimado que cerca de 50% a 80% da população mundial tenha vitamina D baixa (1, 2, 3).

Nível de 25(OH)D (25-hidroxi vitamina D) no sangue Interpretação do resultado Presença ou ausência de sintomas de falta de vitamina D Percentagem da população mundial cujo valor de vitamina D se encontra dentro desta faixa
Entre 29 e 20 ng/ml de 25(OH)D no sangue Insuficiência de vitamina D. Geralmente não se manifestam sintomas, nem anormalidades. 44%
Entre 19 e 10 ng/ml de 25(OH)D no sangue Deficiência de vitamina D. Começam a surgir anormalidades, como a deterioração dos ossos. É possível que a pessoa não perceba os sintomas ou que eles sejam inespecíficos: depressão, formigueiros, cãibras. 30%
Menos de 10 ng/ml de 25(OH)D no sangue Deficiência severa de vitamina D. As anormalidades e os sintomas são evidentes. 7%

A falta de vitamina D causa dor nos ossos? 

Devido à relação entre a falta de vitamina D e a osteoporose, osteomalacia e raquitismo, o déficit de calciferol pode provocar dor nos ossos, já que as doenças mencionadas anteriormente afetam a saúde óssea. No entanto, a dor é um sintoma da doença causada pela falta de vitamina D e não é percebida se a deficiência for leve (4).

As fraturas, a desmineralização e a deformidade nos ossos ocorrem quando a vitamina D estiver baixa durante um período considerável e a doença for provocada pela carência. Os adultos podem desenvolver osteomalacia ou osteoporose, enquanto as crianças podem sofrer de raquitismo, que é evidenciado pelos joelhos e tórax arqueados (4).

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Consulte o seu médico ou nutricionista para saber se a suplementação é uma opção adequada para si. (Fonte: Kachmar: 116650074 / 123rf.com)

Quais são os sintomas inespecíficos da falta de vitamina D?

Quando existe uma falta de vitamina D, a absorção de cálcio é reduzida e provoca uma hipocalcemia, ou seja, os níveis de cálcio ficam abaixo do normal. A hipocalcemia produz sintomas que podem alertar a pessoa e fazê-la visitar um médico. Além de afetar os ossos, a hipocalcemia é manifestada das seguintes formas (5):

  • Formigueiros (mãos, pés, língua);
  • Espasmos, dores e cãibras musculares;
  • Convulsões;
  • Sinal de Chvostek (contração e espasmos dos músculos faciais). 

A falta de vitamina D pode prejudicar o humor e causar depressão. Inclusive, a vitamina D baixa em mulheres grávidas é um fator de risco para a depressão pós-parto. Uma deficiência de calciferol durante a gravidez também é associada à pré-eclâmpsia, uma complicação grave que provoca edema e hipertensão arterial, entre outros sintomas (1, 6, 7).

Como o calciferol tem um papel fundamental na imunidade, as infeções recorrentes também são sintomas da falta de vitamina D. Por outro lado, a resistência à insulina e o colesterol elevado também podem ser relacionados com níveis baixos de vitamina D (8).

O que fazer se suspeito de estar com algum sintoma de falta de vitamina D?

Diante de qualquer suspeita de falta de vitamina D é fundamental procurar um médico o quanto antes para solicitar um exame e avaliar o nível de 25(OH)D e qualquer outro exame que ele achar relevante. Embora a toxidade pela vitamina D seja incomum, não é recomendado tomar suplementos sem saber o estado de tal nutriente no organismo  (9).

Por outro lado, a falta de vitamina D provoca hipocalcemia e hiperparatireoidismo, condições que ocasionam a desmineralização dos ossos, aumentando a sua fragilidade e o risco de fraturas. Por isso, é provável que o médico também avalie estas complicações (4, 9).

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As melhores fontes de vitamina D nos alimentos são os peixes gordurosos (arenque, sardinha, salmão), o fígado, a gema de ovo e alguns tipos de cogumelos. (Fonte: Danileiko: 56414016 / 123rf.com)

Como aliviar os sintomas da falta de vitamina D?

Quando é detetada uma falta de vitamina D, primeiro as causas são exploradas e, posteriormente, é estabelecido um tratamento que consiste na suplementação, exposição solar prudente e reforço dos alimentos ricos em vitamina D. Apanhar sol durante 10-20 minutos, algumas vezes por semana, é o suficiente para estimular a síntese de vitamina D na pele (4).

Em relação aos alimentos com vitamina D, as melhores fontes são os peixes gordurosos (atum, sardinha, salmão, arenque), o fígado, a gema de ovo e alguns tipos de cogumelos. O óleo de fígado de bacalhau e os produtos alimentares fortificados (leite, sumos, tofu) também ajudam a melhorar a ingestão de vitamina D (3, 4).

Para a suplementação de vitamina D, é indicada uma dose elevada na etapa inicial, por exemplo, entre 2000 e 5000 UI (Unidades Internacionais) por dia, enquanto na fase de manutenção é recomendado entre 800 e 2000 UI. As Unidades Internacionais expressam a quantidade de vitamina D (1, 9).

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A falta de vitamina D pode prejudicar o humor e causar depressão. (Fonte: Ocusfocus: 89954063 / 123rf.com)

Os suplementos de vitamina D3 são melhores que os de vitamina D2 para corrigir a deficiência? 

Tanto a vitamina D3 (colecalciferol) como a D2 (ergocalciferol) são formas ativas e a sua atividade biológica é parecida. A diferença é que a vitamina D3 tem uma vida média mais longa que a D2 e, por isso, a forma D3 é mais conveniente quando os suplementos indicados não são de consumo diário, mas sim são administrados a cada 7, 15 ou 30 dias (1).

Um aspeto que vale a pena considerar na hora de comprar um suplemento de vitamina D é que a sua formulação seja lipossomal. Os lipossomas são pequenas esferas que contêm no seu interior a vitamina D e favorecem a sua assimilação. A nossa vitamina D3 líquida, além de ser lipossomal, não contém açúcar, nem glúten.

Quanto tempo demora para corrigir a falta de vitamina D?

A resposta de cada paciente ao tratamento é diferente, mas a maioria consegue normalizar os valores de vitamina D no sangue (mais de 30 ng/ml) em cerca de dois ou três meses. Na fase de manutenção, é necessário avaliar o nível de 25(OH)D no sangue a cada três meses (1, 9).


A nossa conclusão 

Os sintomas da falta de vitamina D não são fáceis de identificar e, inclusive, pode ser que não apareçam até que a deficiência fique muito severa. Além disso, é possível que a carência de calciferol se manifeste com sintomas depressivos, dor muscular ou infeções frequentes, que também podem ocorrer por outros motivos.

A vitamina D é um dos micronutrientes mais importantes para a saúde e é estimado que mais da metade da população mundial sofra de hipovitaminose D. Conhecer os sintomas da falta de vitamina D é fundamental para detetar a deficiência e começar o tratamento de suplementação.

Conhecia estes sintomas da falta de vitamina D? Se gostou do nosso artigo, não se esqueça de compartilhar ou deixar-nos um comentário.

(Fonte da imagem destacada: Natalimis: 131619143 / 123rf.com)

Referências(9)

  1. Sánchez A et al. Diagnóstico, prevención y tratamiento de la hipovitaminosis D. 2013.
  2. de Oliveira V et al. Influencia de la vitamina D en la salud humana. 2014
  3. Navarro Valverde C, Quesada Gómez J. Deficiencia de vitamina D en España. ¿Realidad o mito? 2014.
  4. Gallagher M. Los nutrientes y su metabolismo. En: Mahan L, Escott-Stump S. Krause. Dietoterapia (Edición 12). 2008. Elsevier Masson.
  5. Moya M, Picado Sánchez E. Generalidades sobre hipocalcemia. 2014.
  6. Shaffer J et al. Vitamin D Supplementation for Depressive Symptoms: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. 2015.
  7. Robinson M et al. Low maternal serum vitamin D during pregnancy and the risk for postpartum depression symptoms. 2014.
  8. Costanzo P, Salerni H. Hypovitaminosis D: afectaciones no clásicas. 2009.
  9. Joshi D, Center J, Eisman J. Vitamin D deficiency in adults. 2010.
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Artigo científico
Sánchez A et al. Diagnóstico, prevención y tratamiento de la hipovitaminosis D. 2013.
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Artigo científico
de Oliveira V et al. Influencia de la vitamina D en la salud humana. 2014
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Artigo científico
Navarro Valverde C, Quesada Gómez J. Deficiencia de vitamina D en España. ¿Realidad o mito? 2014.
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Livro
Gallagher M. Los nutrientes y su metabolismo. En: Mahan L, Escott-Stump S. Krause. Dietoterapia (Edición 12). 2008. Elsevier Masson.
Artigo científico
Moya M, Picado Sánchez E. Generalidades sobre hipocalcemia. 2014.
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Meta análise e revisão sistemática
Shaffer J et al. Vitamin D Supplementation for Depressive Symptoms: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. 2015.
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Artigo científico
Robinson M et al. Low maternal serum vitamin D during pregnancy and the risk for postpartum depression symptoms. 2014.
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Artigo científico
Costanzo P, Salerni H. Hypovitaminosis D: afectaciones no clásicas. 2009.
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Artigo científico
Joshi D, Center J, Eisman J. Vitamin D deficiency in adults. 2010.
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